ENCENA
• O "Espaço Cultural Grande Otelo" é um templo de experimentações, local na qual atores, diretores, produtores, cantores, dançarinos, performáticos e demais envolvidos nas atividades artísticas, mostram talentos e divulgam seus projetos, contando assim capítulos e mais capítulos da aventura cultural em Osasco. Nesse contexto, esse espaço intimista- de pouco mais de 120 lugares, ao longo de sua história, consagrou-se como "reduto" de talentos e novas propostas, sublinhando o efeito da criatividade na Região Oeste. E levando em consideração essas constatações, nada mais natural que nascesse nesse espaço, um dos mais embrionários projetos artísticos da cidade, o "Vitrine Artística". Mas afinal de contas, que projeto é esse ? No que consiste o "Vitrine Artística? Qual a importância dessa idéia para artistas, intelectuais e profissionais que pensam cultura na Região Oeste ? O "Vitrine Artística" é um programa de TV que tem a proposta de apresentar e divulgar os talentos de inúmeros pontos de São Paulo, abrindo espaços à todas categorias do "Fazer Cultural", gerando interações e integrações entre público, artistas e futuros patrocinadores desses novos projetos artísticos. Delírios? Divagações? Nem tanto. No último dia 09, artistas e convidados puderam conferir os efeitos dessa idéia, participando ativamente das gravações dos três programas pilotos, em uma saga deliciosa das 14 às 23 horas, de muito entusiasmo, torcida pelo projeto e contatos, inúmeros contatos, construindo a teia da tão chamada "Identidade Cultural".
• E no primeiro programa "Vitrine Artística", convidados e artistas puderam entender o desenho da atração - apresentada por Elíabe Vicente e Nicéia Rodrigues. E ali desfilaram bandas, poetas, atores e tantos outros, em uma programação por ordem de chegada, tranqüila, sem "stress" e estrelismo, digno de aplausos a uma idéia tão bem construída. E a primeira atração foi a banda "Na Gueta" - que com carisma apresentou duas canções "Campo de Batalha" e "Etnocultura", a primeira falando de que o medo aprisiona - com direito a uma frase emblemática "cheiro de medo no ar", e a segunda canção pontuando uma crítica ao colonialismo e uma homenagem a diversidade cultural. Na seqüência, o público pôde conferir o talento da poetisa Flávia Dutra que fez um mosaico de referências com seu texto "Jornal Nacional". E ali, a criatividade da escritora construiu um diálogo criativo entre a crônica e a poesia, brincando, de forma crítica, com imagens e memórias. Logo depois, a banda "Alquimika" - integrada por Edinho Carvalho e Fabio Dutra- mostrou as canções "Caminho Solar" e "Abracadabra". E aqui, não dá para deixar de comentar a primeira canção apresentada pela banda que fala, antes de mais nada, de renascimento e transformação com as frases "Só a morte dá a chave da transmutação" e "Sigo sempre o caminho que leva ao sol". A quarta atração destacou o ilusionismo e as mágicas da dupla "Kawlan e Marco", que depois, no quadro "Cantinho Intimista", revelaram aos apresentadores Elíabe Vicente e Nicéia Rodrigues, o sucesso da mistura humor e mágica- já que o intérprete de Kawlan trabalha também como palhaço. Em seguida, foi a vez do "Blues" invadir o palco do "Espaço Cultural Grande Otelo" com a banda "Van Blues e Banda no Cio". E ali, o grupo interpretou "Não me deixe na mão" e Não mexa neném, não mexa comigo". Os solos e os diálogos com a guitarra, baterias e a voz da cantora foram as tônicas da apresentação. E o que falar da performance do menino Stuart na bateria? Algo divino, nada como uma família que educa uma criança mostrando boa música e o valor da sensibilidade. E por fim, o último bloco do primeiro programa, mostrou o talento da banda "Estátuas"- que apresentou duas canções, entre elas "Esperança por Enquanto".
• O segundo programa começou com a apresentação de Chikinho Alves que mostrou duas canções, as intimistas "Flor Morena" e "Passarinho". E no quadro "Cantinho Intimista", o músico se emocionou quando esse articulista perguntou "Quem era Chikinho Alves para Chikinho Alves?". Logo em seguida, Diego "Ritmo" de Souza invadiu o "Vitrine Artística" com a dança de rua, em um estilo singular, mostrando a harmonia entre corpo, rosto e tudo mais. E que empatia e maturidade do artista ! Aliás, maturidade e seriedade profissional foram as tônicas desse programa dirigido por Neuber Bezerra. A terceira participante do programa, Márcia Regina, mostrou sua poética cheia de sensibilidades, pontuando temas como "amores" e "recomeços". Na seqüência, foi a vez da Banda Nepentes- integrada por Arthur (guitarra/violão), Aline (violino), Brunno (batera), Guilherme (baixo), Ivan (vocal) e Renata (saxofone), mostrar seus talentos com canções como "Pra longe de você" e "Palavras". E aqui, ficou claro constatar o quanto essa banda tem o que dizer, o que analisar, o que discutir. Na primeira canção, a banda destacou a frase "Você não vê que o vento soprou o tempo para longe de você", isso remete a busca poética do grupo e um olhar à dialética existencial. Sem contar as participações de Renata no saxofone e Ivan no vocal- que dão um diferencial na banda, todos estão bem, só que o diferencial aparece no diálogo musical entre os dois artistas.
• E a diversidade do "Vitrine Artística" não ficou só ai. Nas gravações dos programas, o público pôde conferir a irreverente banda "Nóia" com suas canções tematizando as aventuras do célebre padre baloneiro que se aventurou em buscar seus sonhos e do imaginário infantil. Aliás, o humor e a vocação estavam expressas em cada fala, em cada olhar, em cada brincadeira dos meninos da banda. Logo em seguida, o programa também destacou o talento de Jonathan Milan e sua rebeca em uma performance intitulada "Rebecando". E no quadro "Cantinho Intimista", o músico revelou o preço pago pelas suas escolhas e também contou detalhes do seu trabalho artesanal de rebecas.
• No terceiro programa, o destaque ficou por conta de Isa Ferreira - cantando duas canções homenageando o meio ambiente, "Fruta no Pé" e "Meio Ambiente". E como foi referenciado pela apresentadora Nicéia Rodrigues, Isa Ferreira está sempre presente nos projetos culturais da cidade, pois acredita na palavra integração e ama, acima de tudo, o cantar. A banda "Raska Rock - composta por João Pavani (vocalista), Edson Lima (seringüela) e Fabio Rodrigues (baixo) também mostrou originalidade e ousadia em seus versos com canções como "Alma Rock" e "Neura". A primeira falando de artistas que se vendem - mudando estilo, temas só para agradar o público, gravadoras ou interesses comerciais e a segunda falando do efeito da urbanidade, com seus caos e reconstruções- lembrando, de alguma forma, o verso "Aqui tudo parece que ainda é construção e já é ruína...", da canção "Fora da ordem", de Caetano Veloso. E aqui, podemos entender um possível diálogo criativo da banda com esse clássico do cantor e compositor baiano, se a banda não conhecer essa canção seria o caso de pesquisar, já que o tema segue pelo mesmo caminho. E uma das últimas atrações do programa "Vitrine Artística" foi Cristiane Rodrigues e seu equilibrio em cena, cantando a canção "100 Palavras" . O que fica dessa vivência, é que esse novo projeto para a TV será exibido em dois canais, Tv Osasco - canais 6 e 22 da NET e pela TV Universitária da UNIBAN, em dias e horários que essa editoria de cultura promete divulgar. Como se vê, o "Espaço Cultural Grande Otelo" está a todo vapor, criando histórias, eventos, atrações- agregando inúmeros profissionais - como o diretor de palco do programa, Carlos Ranufo, o jornalista Fernando Bispo - que também estava fazendo matérias para o "Salada Mista"- programa de cultura da TV UNIBAN e este articulista. Valeu !!! O tempo não pára e a aventura cultural só está começando..